domingo, 4 de abril de 2010

Objetivo de participação do World Council for Psychotherapy (WCP) na 58ª Conferencia da ONU, determinado durante o IV Congresso Mundial de Psicoterapia, no mês de agosto de 2005, em Buenos Aires, Argentina.

Discurso apresentado em 7 de setembro de 2005, pelo delegado do WCP na ONU, Dr. José T. Thomé, na 58ª Conferencia Anual do Departamento de Informação Pública da ONU, em Nova Yorque.

Introduzindo uma visão holística e prática sobre
direitos humanos através da Perspectiva Psicoterapêutica

Esta conferência das Nações Unidas se fundamenta em como é possível alcançar uma visão holística e prática de direitos humanos, a partir de perspectivas multilaterais e abertas. E é nossa intenção contribuir para esta equação apresentando a perspectiva psicoterápica, que reconhece o direito humano básico de ser livre do medo.

Através da psicoterapia, as pessoas podem resolver os seus conflitos pessoais, que causam medo, e conseguem se sentir em paz consigo e, conseqüentemente, com outras pessoas.

Apresentamos esta perspectiva como representativa do Conselho Mundial de Psicoterapia ou simplesmente WCP. O WCP é uma organização internacional de terapeutas do mundo inteiro, cuja missão é localizar e eliminar o sofrimento emocional.

Todos estamos familiarizados com a experiência do sofrimento quando relacionado por dano físico, pobreza, falta de educação, e outros problemas assinalados pelo programa Metas de Desenvolvimento de Milênio (MDGs).

Na última semana de agosto, milhares de psicoterapeutas de mais de 50 países se encontraram na reunião anual do WCP em Buenos Aires - Argentina, durante o IV Congresso Mundial de Psicoterapia. E em um simpósio sobre o papel de WCP nas Nações Unidas, percebemos que podemos contribuir significativamente para a busca dos objetivos da ONU, determinando a necessidade de criar uma 9ª meta ao programa Metas de Desenvolvimento de Milênio e propondo alternativas para o seu tratamento. Esta 9ª MDG pretende assegurar a dignidade e a liberdade humana sobre o medo, no sentido de reasegurar o sentimento de segurança coletiva, reduzindo a violência, o genocídio e a guerra.

O propósito desta 9ª Meta, proposta pelo WCP, é liberar o Ser Humano do sofrimento emocional.

As estatísticas baseadas em informações e pesquisas internacionais, mostram que mais 20% da humanidade sofre de problemas emocionais, especialmente depressão e ansiedade; As mulheres sofrem de depressão duas vezes mais que os homens; Taxas altas de suicídio, especialmente em adolescentes, estão aumentando em todos os países, inclusive nos ricos; O consumo de drogas e o abuso de álcool também se elevam. Por exemplo, dados recentes mostram que nos meses seguintes à catástrofe gerada pelas Tsunami, na Ásia, houve um dramático aumento dos casos de alcoolismo em toda a região atingida.

A desintegração das famílias e a violência doméstica tem aumentado em muitos países: ricos e pobres. E a todos esses maus resultados sociais, ainda é possível acrescentar o gasto financeiro gerado pelo stress, que conduz ao adoecimento, com conseqüência direta sobre a redução de produtividade e sobre dias de trabalho perdidos, gerando bilhões de dólares em prejuízo.

Está comprovado que o sofrimento emocional provoca impactos adicionais na saúde materna, na saúde das crianças e aumenta a vulnerabilidade para HIV/AIDS, Malária e outras doenças. Portanto, localizar e tratar o sofrimento emocional irá contribuir diretamente com o êxito da busca por quase todas as outras metas de MDG.

Um estudo importante feito pelo Hospital Permanente Kaiser, nos Estados Unidos, demonstrou que tratando e solucionando o sofrimento emocional, reduzem-se problemas médicos em até 70%.

O filósofo e psicanalista brasileiro, Jurandir Freire da Costa, propôs que a humanidade está sofrendo da Síndrome da Indiferença, onde as pessoas não só não se conectam ao seu próprio sofrimento, como também não conseguem se sensibilizar com o sofrimento dos demais. E que somente quando esta dor, pessoal e alheia, puder ser localizada, as pessoas conseguirão recuperar o sentimento de dignidade humana, superando o medo e aumentando a tolerância com os demais.

Segundo Freire da Costa, essa condição reduzirá a agressão, prevenindo atos de dominação sobre outras culturas e religiões, e ajudará a humanidade a resistir ao impulso de recorrer à violência contra outros, afirmando-se em um falso sentido de poder e superioridade.

Várias são as razões para que as pessoas sintam medo e falta de dignidade humana. Esta alienação pode ser uma conseqüência negativa da globalização, que leva as pessoas a perderem contato com os seus próprios costumes locais, gerando um sentimento de vazio interior. Como vivo no Brasil, estou consciente deste problema na América Latina e sei que o mesmo vazio interno e cultural, produto da alienação dos costumes locais, estão acometendo muitos povos indígenas.

O que é a psicoterapia e como ela pode ajudar a aumentar a dignidade humana, e reduzir o medo e os impulsos que conduzem à guerra, violência e genocídio?

Em psicoterapia, as pessoas podem expressar os seus sentimentos em um ambiente protegido, assistidas por uma pessoa treinada para escutar com compreensão e compaixão. Este processo a ajuda a se re-conectar às suas raízes, com dignidade, afirmando a sua identidade e desenvolvendo modos saudáveis de estar no mundo.

No sistema Oriental e Europeu, os psicoterapeutas usam “terapias verbais” ou talk therapy e técnicas variadas para alterar emoções, pensamentos e comportamentos.

Em outras culturas, em partes de América do Sul (de onde nós viemos), como também em regiões da África, da Ásia, na Rússia, no Canadá, nos Estados Unidos, e assim por diante, o alívio de sofrimento emocional também é feito por curandeiros tradicionais, sendo que alguns são chamados xamãs ou médicos do povo.

Os curandeiros tradicionais usam rituais, incluindo dança e canto, assim como cerimônias para retirar espíritos negativos ou do mau.

A nossa proposta principal não é trabalhar sessões psicoterápicas, mas sim, iniciar diálogos multi-grupais (“stakeholder”) com a intenção de buscar a compreensão mútua, reconciliadora, e a de construir campos comuns de diálogos.

Nas Nações Unidas, em fóruns como este, nós temos a oportunidade de intercambiar informações de como este trabalho funciona nas psicoterapias. Quando um ser com sofrimento emocional é identificado e localizado, o custo pessoal, interpessonal, social e financeiro diminui.

Restabelecendo a dignidade humana individual e a identidade pessoal e cultural através da psicoterapia, as pessoas poderão recuperar a resistência emocional e poderão alcançar saúde mental sustentável para superar o medo e lidar efetivamente com sofrimento pessoal e o trauma no mundo.

Realizado por: Alfred Pritz, Ph.D. (a Áustria), Judy Kuriansky,Ph.D. (o E.U.A.), Darlyne G. Nemeth, Ph.D. (o E.U.A.), Gloria Alvernaz Mulcahy, Ph.D. (o Canadá), José T. Thomé, MD (Brazil ), Neil Walsh (E.U.A.), e Sylvester Ntomchukwu Madu, Ph.D. (a África do Sul) - headoffice@worldpsyche.org

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