Método Fenomenológico de pesquisa
Rogers desejava, em seus estudos, nas usas pesquisas e em suas práticas, saber como percebemos e reagimos a esse mundo multifacetado de experiências .
O interesse de Rogers é pelo vivida de si e do outro – cliente/educando. Mesmo que ele tenha realizado pesquisas positivistas – naquele período quem não realizasse tais pesquisas, poderia ser considerado persona nom grata nas universidades e caía em descrédito clínico – éevidente que ele se utiliza do método fenomenológico existencial para realizar suas maiores descobertas, e a sua prática clínica mesma – de onde advém o material de pesquisa – é humanista, humanista existencial ou fenomenológico.
Assim, a realidade que temos de nosso ambiente depende da percepção que temos dele, que nem sempre pode coincidir com a realidade fatual mesma. Essa percepção é física/fisiológica como na Gestal, mas é fundamentalmente subjetiva.
Dizem Schultz e Schultz (2002), que a noção da percepção é subjetiva. Esta noção – a da percepção - é antiga e não é exclusiva de Rogers. “Essa idéia, chamada fenomenologia , argumenta que a única realidade da qual podemos estar seguros é o nosso próprio mundo de experiências, a nossa percepção interna da realidade” (p. 318). Continuando dizem ainda que,
“A abordagem fenomenológica na filosofia refere-se a uma descrição imparcial de nossa percepção consciente do mundo, exatamente como ele ocorre, sem nenhuma tentativa de nossa parte de interpretação ou análise. Na visão de Rogers, o ponto de vista mais importante sobre o nosso mundo experencial é que ele é particular e, dessa forma, pode ser completamente conhecido somente por nós” (p. 318).
Por isso, a pesquisa fenomenológica está interessada em descrever a vivência do outro, de acordo com o outro, isto é, descrever o vivido pelo outro, a experiência do outro tal qual ele a vive, de acordo total com sua libguagem, ou expressões corporais, entre outros.
Entretanto o pesquisador está implicado nesse processo de pesquisar através do método fenomenológico existencial. O pesquisador não é nem um pouco neutro, pela não dicotomia sujeito/objeto. Disse Rogers que a “(...) a experiência é, para mim, a mais alta autoridade. O critério de validade é a minha própria experiência”.
A esse modo de produzir conhecimentos - apesar, de no início, tentando responder ao positivismo da época, Rogers ter produzido estudos experimentais, entre outros métodos de pesquisa utilizados - ele apresenta uma radical postura de confiança na capacidade do ser humano, na sua tendência natural ao crescimento e na busca de sanidade, na sua atitude de ser livre, decidindo e responsabilizando-se por sua própria existência.
Rogers: Pessoa provoca(dor)a
Esse sujeito provocador foi registrado como Carl Ransom Rogers, mas é conhecido como Rogers. Ele nasceu a 8 de Janeiro de 1902 em Oak Park nos arredores de Chicago. Tinha quatro irmãos e uma irmã, sendo o antepenúltimo dos filhos.
Faleceu em La Jolla, na Califórnia, a 4 de Fevereiro de 1987 em conseqüência de uma fratura do colo do fêmur, provavelmente, comentava-se na época, quando armou e subiu numa escada, dirigindo-se para a soleira do teto de sua mansão. De acordo com as instruções que deixara à sua família, as máquinas que mantinham "artificialmente" uma vida vegetativa, em um hospital, deveriam (e foram) desligadas após três dias de coma, que é uma tomada de decisão ousada até hoje, e cheia de discussões, ora vazias, ora aprofundadas.
Os pais dele, de educação universitária, faziam parte de uma comunidade protestante de forte tendência fundamentalista. A família valorizava uma educação moral, religiosa muito rígida e radical. Era uma família muito conservadora, isto é, muito enraizada nos valores tradicionais e fechada sobre ela mesma, uma família ensimesmada. Entretanto, como podemos imaginar, essa sua família, era intelectualmente muito provocadora e estimulante, principalmente para o menino e o jovem Rogers, uma espécie da metáfora da “ovelha negra da família”, isto é, aquele que destoava, marcando e assumindo, com eficácia, a diferença e que em um futuro próximo, iria brilhar muito mais que aquele núcleo introvertido.
Desde muito novo, Carl Ransom Rogers, mostrou-se interessado pela leitura e pelo "saber". Foi sempre um aluno brilhante. Entretanto era introvertido e algo fechado, mantendo relacionamentos mais com sua própria família, e pouquíssimos fora do ambiente familiar. Ficava mergulhado nos estudos e na leitura de clássicos da literatura e de religião, afastando-se do lazer.
Quando Rogers tem 12 anos o pai compra um pequeno pedaço de terra, como uma chácara, nos arredores de Chicago. A família foi para lá morar. A intenção era uma das mais nobres, fazer uma agricultura "científica". Mas subtendido, a esse “nobre objetivo”, observava Rogers, estava um oculto, o de afastar os filhos dos "perigos da vida da cidade".
A vida na chácara e o trabalho na agricultura levam-no naturalmente a matricular-se, em 1919, no curso de Agronomia na Universidade de Wisconsin. Envolve-se em várias atividades comunitárias desenvolvendo as suas capacidades de "facilitador" e organizador de pequenos grupos e eventos. Entra em contato com meios evangélicos militantes e então, decide mudar de curso, optando pelo de História, e o fez com intenção de se dedicar posteriormente à carreira eclesiástica.
No terceiro ano da faculdade, faz algo que muito o marcou. Viaja para China, integrando uma delegação americana com o objetivo de participar no Congresso da Federação Mundial dos Estudantes Cristãos. A viagem dura seis meses e, no decorrer da mesma, abandona parte das suas convicções religiosas, abrindo-se à diversificação das idéias e opiniões. A China é um país muito rico em tradições e filosofia, e como se não bastasse, era um país marcado pelas idéias de Marx e Engels, que era denominado de país comunista de Mao Tsé Tung, também marxista.
Quando se fala o termo comunista temos que nos reportar acerca do imaginário psicossocial construído em cima dele. Esse imaginário foi e é socio históricamente dos Estados Unidos da América. Por ser o país mais rico do mundo, e com isso, o mais poderoso, ele reproduz tal ideologia para o resto do mundo Ocidental, que apreendemos como verdade única, sem refletir sobre as diversidades de modos de ser. Pois é, Rogers foi à China, e podemos imaginar o impacto dessa viagem no jovem sonhador, e que seria, em pouco tempo, um grande psicólogo e educador.
Ao chegar de novo aos Estados Unidos ganha uma nova independência e autonomia face às opiniões e posições da família. Adquire uma úlcera gastroduodenal, que muito o faz sofrer. Pelos estudos da psicossomática, isto é, os estudos dos efeitos do emocional no organismo, podemos supor que, provavelmente, esse distúrbio surgiu, como resultado deste processo de afirmação de ser si mesmo, diante da pressão de uma família arcaica, tradicional e fundamentalista.
Entretanto tal sofrimento não o desmoronou, mostrando no modo de ser resiliente, isto é, sua capacidade de enfrentar as adversidades e vicissitudes, apesar dos pesares, nunca negando o conflito, mas não submergindo a ele.
Um pastor protestante
Em Rogers persiste uma motivação para uma carreira pastoral. Ele se empenha, social e politicamente, procurando demonstrar a incompatibilidade do cristianismo e da guerra, e para isso, escreve sobre temáticas como o pacifismo do reformador Wyclif ou sobre a posição de Lutero face à autoridade.
Em 1924, Carl Rogers termina a sua licenciatura em História e casa-se com Hellen Elliot, sua amiga de infância, de quem virá a ter dois filhos: David e Natalie. Natalie torna-se renomada feminista e pacifista, e David foi seu colaborador em questões de grupos de encontro.
Após ter obtido a sua licenciatura em História, Carl Rogers matricula-se no Seminário da União Teológica em Nova Iorque. Esse seminário era conhecido pelas suas posições "liberais" em religião, e, ao mesmo tempo, academicamente bem cotado. Rogers recusava a ajuda financeira que o pai, Walter Rogers, lhe oferecia, caso aceitasse matricular-se no Seminário de Princeton conhecido, então, como muito mais conservador.
Durante o primeiro ano nesta instituição, Rogers tem a oportunidade de freqüentar alguns cursos na faculdade de Psicologia, entrando em contato com os psicólogos do porte de Goodwin Watson e William Kilpatrick. Ele ficou marcado por esse conhecimento, provavelmente um conhecimento sentido. Com outros colegas, Rogers organiza um seminário de reflexão auto-facilitado e acaba por tomar consciência da sua "não vocação" para o ministério pastoral.
Essa descoberta não o impediu de realizar um estágio, nessa mesma época, como pastor substituto na paróquia de Dorset em Vermont. Assim, no segundo ano do curso, transfere-se para o Teachers' College da Universidade de Columbia freqüentando o curso de Psicologia Clínica e de Psicopedagogia.
Essa instituição é marcada pela Filosofia de John Dewey que terá um grande impacto na evolução das suas idéias. Para sustentar-se economicamente e à sua família, afinal ele era casado e com filhos, continua a colaborar com instituições eclesiásticas no ensino religioso.
Em 1926, Carl Rogers postula e obtém um lugar de interno no recém criado, pelo Fundo Comunitário de Nova Iorque, o Instituto de Aconselhamento ("guidance": orientação psicológica, psicopedagógica e educacional) Infantil. Após ter recebido um contrato de 2.500 dólares anuais, querem reduzir-lhe o salário para metade, visto não ser psiquiatra, mas “apenas” um psicólogo.
Essa situação é fruto de brigas e desavenças entre sindicatos, devido à reserva de mercado de trabalho; além da arrogância, sócio históricamente construída, da Psiquiatria – e não necessariamente dos médicos psiquiatras. Começa a sua primeira "guerra" com a psiquiatria, mas consegue ser pago em igualdade com os psiquiatras, vencendo mais um obstáculo, um triunfo sobre uma vicissitude.
Rogers cria um Teste Psicológico
Em 1928, Carl Rogers doutora-se no Teachers' College. Na sua tese, ele cria um teste psicológico, direcionado para crianças, que ainda hoje, é utilizado, apesar dos horrores do próprio Rogers e de boa parte dos psicólogos que desconsideram os testes como o principal instrumento desses profissionais; mas que muito marcou a construção social do que é e como é ser psicólogo.
Ele exercia então, o ofício de psicólogo no Centro de Observação e Orientação Infantil da Sociedade para a Prevenção da Crueldade sobre as Crianças, em Rochester. A partir de 1929, dirige este Centro e, durante 12 anos, interessa-se pelo trabalho com crianças delinqüentes, dos opositores da lei e da autoridade constituída, os marginalizados.
Influências recebidas
Nesse ambiente estimulador, conhece o psicólogo e psicanalista Otto Rank que o marca pela sua prática terapêutica - e não pela teoria psicanalítica de Rank. Maior impacto sobre ele, produz Jessie Taft, que publica em 1933 o livro "The Dynamics of Therapy in a Controlled Relationship" que Carl Rogers considerará como uma obra prima, quer ao nível da forma objetiva e científica, quer do conteúdo, escrito de modo literário.
Também o marca, é a fenomenologia, onde se privilegia a importância total de subjetividade e o campo perceptual, pesquisados e estudos por Snygg e Combs. Podemos citar ainda Maslow, e a importância dada por esse psicólogo humanista existencial norte americano, acerca da auto-realização ou para a atualização das potencialidades.
Outro autor que o impressionará é o filósofo existencialista Kierkegaard, no que esse autor desataca como o ser humano em uma procura de seu eu mais íntimo, sendo essa trajetória considerada dolorosa e perturbadora. Recebe influência também do filósofo Martin Buber, e a ênfase desse autor, ao considerar o homem em busca de autenticidade para alcançar a vida plena, e o sentido verdadeiro advindo da comunicação Eu e Tu, e Nós.
É interessante notar, que Rogers afirmava que, dentre as influências teóricas que recebeu, ainda estavam a dos movimentos Zen e o Budismo, nascidos no oriente. Ele também gostava de citar o pensador chinês Lao Tsé, que no poema abaixo, segundo esse renomado psicólogo, resumia um importante princípio da ACP. "Se eu deixar de interferir nas pessoas,/ elas se encarregam de si mesmas./ Se eu deixar de comandar as pessoas,/ elas se comportam por si mesmas./ Se eu deixar de pregar as pessoas,/ elas se aperfeiçoam por si mesmas./ Se eu deixar de me impor as pessoas,/ elas se tornam elas mesmas" (Lao Tsé).
Rogers e Paulo Freire. Quem?! Paulo Freire?!
Em um dos últimos escritos, Rogers, vê relação entre sua prática com Paulo Freire, o pedagogo brasileiro ligado ao marxismo e ao existencialismo . Entretanto, a relação da ACP, a que se refere Rogers, liga-se mais aos compromissos de ambos com os oprimidos e marginalizados. Teoricamente há divergências entre eles, Paulo mais ligado a Hegel/ Marx e Buber, e Rogers a Kierkegaard, e um pouco a Buber, entre outros. Paulo é ligado à Pedagogia e Rogers ligado ao movimento de Psicologia Clínica
A maioria desses pensadores, principalmente Rogers, e às vezes Freire, podemos imaginar, apresentavam em sua produção oral e escrita, uma ou mais características do método fenomenológico existencial de pesquisa, como o enfoque literário da descrição e o valor à experiência vivida. Não é em vão, que uma das caraterísticas do método fenomenológico existencial de pesquisa é o privilégio que se dá a uma escrita de forma literária, poética e artística .
Progressivamente, Rogers abandona uma orientação diretiva ou interpretativa da Psicanálise – predominante nos EUA - e faz opção por uma perspectiva mais pragmática de escuta clínica. Trata-se de uma escuta refinada de seus clientes da clínica e do consultório. Clinicar significa estar junto ao leito de quem sofre.
Essa era, na época, uma posição precursora e audaciosa, e que mais tarde, gerou o começo da estruturação do que se denominaria de Orientação Não Diretiva em terapia ou relacionamentos de ajuda profissional ou leiga.
Rogers psicólogo X psiquiatras: Velha Guerra por mercado de trabalho numa feira de vaidades
A partir de 1935 começa a lecionar no Teachers' College. Nesta instituição Rogers sente-se rejeitado por não ser psiquiatra – naquele tempo essa rivalidade, entre psiquiatra e psicólogo, era muito grande. Assim nem seu ensino e nem o seu estatuto de psicólogo era reconhecido pelo Departamento de Psicologia da faculdade. Entretanto, mais tarde, após vários anos de ensino nos departamentos de sociologia e psicopedagogia, e quando já está para abandonar Rochester, o Departamento de Psicologia reconheceu-o como psicólogo e como docente.
Em 1938, Carl Rogers entra de novo em "guerra" com os psiquiatras. O Centro, em que trabalha e que dirige, transforma-se e amplifica-se e o Conselho de Administração, sob a pressão dos médicos psiquiatras, decide, como era tradição, contratar para diretor um psiquiatra, apesar, de explicitarem satisfação com o trabalho que Rogers.
As razões giravam em torno apenas dele não ser médico. Rogers não se abate e luta contra esse contra-senso advindo exclusivamente da reserva do mercado de trabalho, de luta de poder e da arrogância de categorias profissionais, e não só de médicos. Mais uma vez, mostrando sua força interna de crescimento, ele triunfa e é reconhecido como o primeiro Diretor do novo Centro de Aconselhamento de Rochester.
Em 1939, publica o seu primeiro livro: "O tratamento clínico da criança-problema”, no qual expõe o essencial das suas reflexões e pesquisas realizadas até esse momento, apresentando o teste criado. Nesse livro esboçam-se os princípios da ACP, como a de que, o melhor sujeito para avaliar sua experiência, é o cliente, ou seja, aquele que viveu e vive a experiência.
Com a publicação desse livro começa a ser conhecido na qualidade de psicólogo clínico e é convidado para professor catedrático da Universidade de Estado do Ohio. Responsabiliza-se pela disciplina "Técnicas de Psicoterapia". Nessa disciplina, ele refletia sobre os modelos mais importantes em psicoterapia e aconselhamento, e começa a esboçar suas idéias de uma abordagem terapêutica numa perspectiva mais humanista existencial, e que produz conhecimento pelo método fenomenológico.
Sua perspectiva era a de que as “as novas” terapias, deveriam centrar sobre a expressão do ser do outro, o desenvolvimento e valorização da auto-aceitação, a tomada de consciência do que se é a partir de uma forte experiência, a relação terapêutica entre psicólogo e cliente, entre ajudador e ajudado, entre orientador e orientando. Sua proposta se diferenciava, do que ele denominava de abordagens “velhas”, que enfocavam a análise do passado (traumas na infância, por exemplo), a sugestão (o uso de hipnose ou uma sugestão educativa diretiva, por exemplo) ou a interpretação (como a interpretação dos sonhos, pela psicanálise).
Pela Universidade de Ohio, estimula o ensino e a prática da psicoterapia, assim como a da supervisão, isto é, ele orientava técnica e clinicamente os profissionais de ajuda em dificuldades com seus pacientes. Surge, pela primeira vez, uma inovação: ele passa a gravar e a transcrever, de modo integral, as suas consultas – por meio de entrevistas e/ou de tratamentos psicológicos completos -, mostrando a metodologia de investigação sobre os processos terapêuticos. Rogers não teme em se expor como psicólogo, parecendo aberto às intempéries advindas de ambientes hostís.
Desenvolve, de modo lento e gradual, uma abordagem terapêutica, a partir de sua praxis, que passou a denominar de não diretiva, caracterizada pela escuta refinada. Nessa prática não diretiva, o psicólogo não ficava ansioso em dar respostas e sugestões, muito menos interpretações, pois confiava no organismo humano como capaz dele mesmo mostrar-se na sua experiência fora e dentro do setting clínico.
Rogers sugeria que os psicólogos deveriam restringir-se a utilizar técnicas de reformulação e clarificação dos sentimentos, fundamentados numa atitude de maior aceitação dos sentimentos do cliente por parte do terapeuta, sem julgar e sem punir, permitir o outro ser si mesmo no mundo, do seu modo.
Hipólito (2004), diz que Carl Ransom Rogers só tem consciência da originalidade do seu pensamento quando é confrontado com as reações provocadas pela conferência que faz na Universidade de Minnesota. Isso ocorreu no dia 11 de Dezembro de 1940. Ele intitula-a: "Novos conceitos em psicoterapia" e nela afirma que "o alvo da nova terapia não é resolver um problema particular, mas ajudar o indivíduo a crescer, de maneira que ele possa fazer face ao problema atual e aos problemas que mais tarde apareçam de uma maneira mais bem integrada... ela baseia-se muito mais na tendência individual para o crescimento, saúde e adaptação...".
Esse seu discurso científico, emergido da prática clínica, era muito inovadora, e por isso ameaçou os mais ortodoxos psicólogos, marcados ora pelo Behaviorismo, ora pela Psicanálise. Em segundo lugar, continua a provocar Rogers, "esta nova terapia põe mais ênfase nos elementos emocionais, nos aspectos emocionais da situação, do que nos aspectos intelectuais..." Em terceiro lugar, "esta nova terapia dá maior ênfase à situação imediata do que ao passado do indivíduo..." Finalmente, diz Rogers, "esta abordagem considera a relação terapêutica em si mesmo como uma experiência de crescimento”.
Criticado ou apreciado, ele não deixa os ouvintes indiferentes e toma consciência de que a sua posição relativamente à terapia é singular. Rogers diz: "Pode parecer absurdo alguém poder nomear o dia em que a Terapia Centrada no Cliente nasceu. Contudo, eu sinto que é possível nomeá-lo como sendo o dia 11 de Dezembro de 1940". Essa data passou, assim, a ser considerada, no movimento rogeriano, como sendo a fundadora do movimento, ou, talvez fosse mais justo dizer, o mito-fundador da comunidade rogeriana, continua a nos iluminar Hipólito (2004).
Carl Rogers prepara então uma exposição mais detalhada e sistemática da sua abordagem da terapia. Ele então, publica em 1942, o famoso livro intitulado “Aconselhamento e Psicoterapia”, um clássico para psicólogos e educadores. Os conceitos de "aconselhamento" e "psicoterapia" parecem cada vez mais equivalentes assim como os de "Orientação Não Directiva em Terapia" e "Terapia Centrada no Cliente".
Publica-se, pela primeira vez, e na íntegra, um tratamento a partir da transcrição da sua gravação. Esta obra foi um sucesso e best-seller profissional, apesar de ter passado despercebido aos jornais e revistas da especialidade, quer psiquiátricas, quer psicológicas ou mesmo pedagógicas.
Hipólito (2004) destaca que o reconhecimento oficial de Carl Rogers se exprime em honras profissionais. Ele é eleito vice presidente da Associação Americana de Ortopsiquiatria.
A Ontologia é um ramo da Filosofia que estuda o ser e os modos de ser do ser (humano?), os modos dele aparecer na sua experiência. Uma experiência é descrita com sentido pelo investiga(dor) ou por quem vivencia ela mesma – sua experiência.
Rogers é também é eleito presidente da Associação Americana de Psicologia Aplicada. Entretabto, isso não impede, de Rogers experencie uma ambivalência dessas e outras instituições, manifestada pela falta de apoio e por uma certa marginalização na sua Universidade.
No ano de 1944, é convidado por Ralph Tyler, famoso estudioso de processos de avaliação escolar e não escolar, convida Rogers para ser professor de Psicologia na Universidade de Chicago. Tyler propõe criar um novo Centro de Aconselhamento, especialmente para Carl Rogers, e ele aceita.
Essa sua opção traz-lhes algumas tristezas, pois deixa para traz de si um grupo de discípulos, alguns dos quais se tornaram figuras remomadas e famosas da Abordagem Centrada na Pessoa, tais como, Virgínia Axline (que escreveu o famoso caso de um menino chamado “Dibs: em busca de si mesmo”, “Ludoterapia” etc. ), Arthur Combs, Nat Raskins e John Shlien, ou mesmo, traçando caminhos novos, a partir da ACP, como Thomas Gordon e Eugene Gendlin.
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